sexta-feira, março 28, 2008

OE2008 - Receita Fiscal Parte I

Imp. 2007 2008 Var.

IRS 8.770 9.252 5,5%
IRC 5.430 5.511 1,5%
OUTROS 20 10 -50,0%
Imp. Dir. 14.220 14.773 3,9%

ISP 3.170 3.360 6,0%
IVA 13.100 14.145 8,0%
ISV 1.184 1.120 -5,4%
IT 1.325 1.430 7,9%
SELO 1.735 1.830 5,5%
IUC/IC 88 111 26,1%
OUTROS 263 264 0,4%
IMP. IND. 20.865 22.260 6,7%

TOT. GERAL 35.085 37.033 5,6%


(Milhões de Eur)

terça-feira, março 25, 2008

A geração dos 30

Casaram-se por amor; juntaram-se por amor; “celibataram-se” por amor à causa própria; assumiram o seu gosto por pessoas do mesmo sexo; não assumiram o seu gosto por pessoas do mesmo sexo e vivem corajosamente uma vida que não sabem muito bem de quem é nem a quem pertence; não assumiram o seu gosto por pessoas do mesmo sexo embora seja mais ou menos do conhecimento de todos que a sua cara-metade do sexo oposto é-lhes tão querida como uma velhinha escova de dentes prestes a ir para o lixo e portanto sempre que podem e é razoavelmente discreto dão largas à sua felicidade antes de voltarem para a confortável gaiola da qual têm medo de voar; casaram-se embora toda a gente saiba que amor não é exactamente a mesma coisa do que amizade sendo que esta última por vezes facilita muito mais as relações do que propriamente a outra, que é uma descontrolada e uma ciumenta; juntaram-se porque até é bom para as despesas e se calhar um cozinha enquanto o outro trata dos papéis para o IRS e o mais provável seja que acabem na igreja com a bênção de Nosso Senhor e das respectivas famílias; juntaram-se por amor mas uma das famílias ou as duas famílias acham que o respectivo descendente poderia ter arranjado melhor, talvez na missa das 19h30 no Campo Grande, talvez no Parque Eduardo Sétimo; juntaram-se por amor mas uma das sogras se calhar acha que lhe arrancaram o filho ou a filha, querido ou querida, quiçá o seu tesouro adorado e portanto urge minar toda a relação ainda que o filho ou a filha sejam muito felizes e se preocupem mais com a sua realização individual do que com a sua realização amorosa;
Enfim, seja qual for a situação em que cada um de nós se reveja – acima descritas – respeito-as a todas e prometo não fazer comentários, ser discreto na medida do possível se bem que alguma fofoquice não é o mesmo que andar a difamar e a espalhar infâmias sobre as pessoas, é apenas um suminho que se bebe e se pensa “ai que bem que isto me soube, se calhar já bebia mais um!” – mas dizia, e poderia dar muitos mais exemplos garanto-vos, nada justifica o monolitismo da geração dos 30.
Hoje em dia, para se tomar um copo com um trintão ou uma trintona – é isso que nós já somos amigos tenhamos carinha de 27 ou não – têm que se seguir procedimentos muito delicados e extremamente burocráticos que em geral, à primeira abordagem mais forçada, caem na mais vergonhosa ruína, podendo apenas ser retomados “algumas semanas depois”.
Em particular o “copo com amigo do mesmo sexo” implica frequentemente e de forma não anunciada o “copo com amigo do mesmo sexo mais a respectiva namorada ou mulher”. Tal provoca que a disponibilidade para “o copo” passe a ser não de duas pessoas mas de três pessoas, ou se ambos quiserem levar as namoradas ou mulheres, a disponibilidade de quatro pessoas e não de duas.
E a disponibilidade não é apenas absoluta, ou seja, “temos alguma coisa na agenda ou não” é também relativa no género feminino: “claramente não temos nada para fazer porém não me apetece tomar café com o teu amigo…mas vai tu…a sério não me importa!”. Ao que o género masculino geralmente retorque com: “Eu fico aqui então contigo.” Sendo que muitas vezes tal é sinónimo de: “talvez com este gesto absolutamente magnânimo consiga uma noite de sexo como já não me lembro”. Claro que na esmagadora maioria das vezes o que obtêm mesmo é…um balde de gelado do Ben&Jerry’s e um filme independente – o que poderá nem ser assim tão mau!
O que me parece é que há 10 anos atrás quando estávamos nos vintes, todo este procedimento seria duramente recriminado com aquilo a que se habitualmente se chama de “COLAS” e poderia vir a ter consequências imprevisíveis na própria relação.
Agora, claro, uns anos mais tarde, com uns quilos a mais e uns cabelos a menos, já tudo é bem mais passivo.
E ainda existe o caso extremo do “jovem casal com um pequeno filho” que não pode abandonar o seu ninho, individualmente ou em casal porque senão “o filho não cresce”. Está nas leis da física, não são é as de Newton, são as de um tipo qualquer que vive num universo paralelo qualquer que em vez de ter acordado da sua sesta com uma maçã caída do ramo acima do seu gesto, acordou com uma bosta de pássaro algures entre os dentes e os pelos rastejantes do nariz.
Em suma as pessoas fecham-se, e fazem-no da maneira mais cómoda: com a pessoa com que passam mais tempo. Não admira pois que os casamentos – esse pergaminho tão valioso para efeitos fiscais – durem tão pouco…pudera!
E quando convivem fazem-no de forma controlada e em conjunto esquecendo-se que se calhar “as gajas querem falar de gajos – e sim pode incluir-nos amigos – entre si” e se calhar os gajos querem ir testar se os atributos que os tornam “absolutamente irresistíveis apesar das barriguinhas” ainda funcionam seja à mesa no Cosmos, seja à noite no BBC, no Incógnito ou no Lux.
Para finalizar existe o caso mais chocante e gratuito que é:
Estou tão cansado do trabalho que de facto vou é “moribundar” para o sofá, à espera que a morte – também conhecida por segunda-feira – chegue serena e silenciosa.
“Estás a ficar velho e rabugento Mascarenhas” imagino eu os comentários mas reclamo que sem tertúlias ou convívios com as pessoas estritamente necessárias aquele momento em particular, resta-nos percorrer em casal todos os restaurantes desta cidade magnifica e todos os espaços culturais, discotecas e assim.
Estaremos a falar de quê?
Vinte espaços?
Trinta espaços?
Lisboa é muito bonita mas é “uma caganita”, vive-se aqui 2 anos e já se conhece tudo, por muito bonito que seja tudo, e que a luz encha os olhos de forma luxuriante e esplendorosa.
Diz-se que há quem tenha medo de ficar sozinho.

Há cães à venda.
Há livros para ler.
Há música para ouvir e até para ver ouvir e ver.
Há televisão para ver.
Há milhares de coisas para aprender, vejam:
Desenho, pintura, gestão, arquitectura, recursos humanos, música, filosofia, direito, relações humanas, medicina, ciências ocultas, automóveis, motas, barcos, como aparecer nas revistas cor-de-rosa, alpinismo, sítios exóticos para viajar, fiscalidade, desporto, ginásio, informática, esoterismo, línguas estrangeiras, língua portuguesa já agora (…)
Medo de quê?!
De se libertarem dessa preguiça fulminante e começarem a evoluir como pessoas?!
Já nem digo para nos tornarmos cidadãos do mundo mas que tal da cidade?!
Enfim, vou almoçar mas não vou ao restaurante aqui de baixo vou a um qualquer mais longe, de preferência que não conheça, porque a rotina me cansa, e evoluir, ainda que no ramo da restauração, é um imperativo.
Amen.

quinta-feira, março 20, 2008

Líder dos Foo Fighters concorre à presidência dos EUA

Ainda não se sabe se é mesmo um projecto político, ou um truque publicitário. Mas Dave Grohl, líder dos Foo Fighters e antigo baterista dos lendários Nirvana, anunciou à HARP que vai juntar-se a Obama, Hillary e McCain na corrida à Casa Branca.
Apesar de ter revelado que pensa ser Presidente desde os 20 anos, altura em que deixou de fumar erva, Dave Grohl afirma que foi a recente impopularide dos Estados Unidos da era Bush que o motivou a abraçar a política.
«Lembro-me de quando actuava por esse mundo fora e as pessoas perguntavam-me, ‘como é que é Chicago? E Seattle? E Los Angeles?’. Aquelas pessoas sonhavam em ir para os Estados Unidos e viver nesse grande país. Agora é totalmente o oposto. A América tem uma imagem saloia que foi cultivada durante oito anos pelo nosso Presidente saloio», diz Grohl.
Para mudar a imagem do país, o rocker diz ter a receita: «família, música e churrascadas».
«O que a América precisa é de uma bela churrascada familiar, pelo menos uma vez por semana, incluindo no Inverno. Todos os domingos», diz Grohl, que começa por estes dias uma nova digressão com os Foo Fighters, que terá contornos de campanha eleitoral, segundo revela a HARP.
Se chegar à Casa Branca, Grohl afirma que contará com o antigo baixista dos Nirvana, Kris Novoselic, no seu Executivo. E entre as primeiras medidas do hipotético Presidente Grohl contam-se amnistias para Foxy Brown e Boy George, a legalização da cannabis para fins terapêuticos e a abertura das fronteiras aos imigrantes: «todos são bem-vindos».
De imediato, Grohl decretará igualmente a retirada das tropas americanas do Iraque. Só não sabe ainda como: «ainda tenho que pensar um bocado».
in Sol

sexta-feira, março 07, 2008

Flamingos do Tejo

Sábado passado foi dia de mudança: da Comandante Cousteau para os Flamingos do Tejo. A Flytime fez grande parte do trabalho mas ainda assim sobraram muitos caixotes para desempacotar e...arrumar. As minhas costas ainda se queixam porém é verdade que a área agora disponível me serena o juízo e me apazigua os nervos. Gosto muito da casa nova. É toda branquinha e muito bonitinha. Também gosto muito do carrinho novo, tem tantos gadgets...até mudanças automáticas! Também gosto muito do piano novo....e do banco do piano novo! É simplesmente incrível... e também gosto muito do trabalho novo - que também vai mudar da Filipe Folque para a António Augusto de Aguiar! Há poucas coisas que não tenham mudado na minha vida com o novo ano: apenas as derrotas do Glorioso e o amor que sinto por ti. Já disse que também tenho uns sapatos novos :) ?

O meu nome é...

...Tiago Mascarenhas e....pronto!

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

“Que as brumas cheguem cedo”

Vejo-me a cair, doce, levemente
Vejo-me como se já estivesse fora de mim
Sereno, contemplativo

Caio lentamente mas depressa me afundo
Morosamente arrastado para as profundezas do fogo

Para que das cinzas retorne
Sem nome e sem destino
Sem curiosidade nem hino

Vejo-me a levantar, irado, ferozmente
Vejo-me como se estivesse prestes a reclamar-me
A reclamar o corpo marcado da sina infeliz

Que ser algum ouse levar o que é meu

Erguido expulsando sangue para os canais
Que raiado fique o olhar da vingança

Espumo como cães com cio
Nojenta e barbaramente

Purgo-me do esgoto acumulado em mim

Tenho fé
Fé nas cicatrizes eternas que me amaldiçoam as mãos

Fé que desapareçam de forma rápida e inesperada
Quero as mãos vazias

Desprovidas de esperança ou significado
Obrigadas a rasgarem-se para algo escrever

Tenho fé
Fé que as brumas cheguem cedo
E que cedo me levem para lá.

“Cabrestante”


Ainda que o vento sopre
E a tempestade não se extinga

Ainda que a maré alcance a lua
E a electricidade esteja em fúria

Ainda que o barulho nos encontre postrados
E a sede não resista ao sal

Ainda que o silêncio seja gritado
E a respiração exacerbada

Ainda que a espera seja longa
E inifinita a esperança de sobreviver

Ainda que as mãos cubram a cabeça
E os traços permaneçam esfíngicos na sua rectilinearidade

Ainda que o interior imploda
E o exterior retraia na sua inferioridade

Ainda que as células se multipliquem
E o ser se mantenha inalterável

Sei que a mudança irá consumar-se
Está em curso sinto-a a nascer

Sei que a pele esfarelar-se-á
Dando origem a um mapa de pontos celestiais

Os quais irei percorrer, um por um
Todos, ou apenas nenhum

E no abandono sempre saberei
Que não importará a ausência ou a distância

Caído no ocaso ou caminhando no levante
O regresso sempre encontrará o seu cabrestante


terça-feira, janeiro 22, 2008

Flôr de sal

Enquanto as ondas descansam em terra e a luz percorre as trevas, é nas estrelas que esculpo o teu perfil, com a pressa que não sei ter e o vagar displicente de quem vive tomado pela paixão; enquanto o frio não se deixa subjugar pelo aguardado dia corro as linhas que se cruzam nas nossas mãos, projecto-as na vã esperança de que a eternidade possa eventualmente ser a perpetuidade das nossas vidas; enquanto as vozes sossegam para subirem na manhã, oiço-nos e penso que afinal não estarei só; enquanto o horizonte se esconde e a lua seraficamente nos contempla deixo que as lágrimas queimem a abençoada noite; enquanto a distância continuar a permitir sentir-me próximo; ocupo-me.
Dactilografo o que os olhos ditam:
Saleiro.
Abat-jour em pé alto, mesas negras em conspiração. Poufs, poltronas, sofás.
- “Vai tomar algo senhor?”.
O gelo impede o passeio. O gelo e a humidade. Por muito apetecível que este deck possa ser.
Contam-se caixas. A poucos metros de distância constroem-se navios. Processa-se o aço. Dos painéis ou chapas, aos pequenos conjuntos. Aos conjuntos. À mecânica. Sobem em milhares de peças, na segurança da doca seca. Recortes a plasma.
O subsolo corre estreito da estação de Viana ao mar.
A “Adega do Padrinho”, oferece fado e acalmia ao estômago.
Hoje, amanhã e depois é daqui que sempre parto.
Do branco e do preto.
Da espaçosa solidão que me tranquiliza.
Sob a estrela de uma Flôr de Sal.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

BBC - 26 de Novembro 2007 - Joana Rios "Universos Paralelos"

É verdade, dia 26 de Novembro de 2007, pelas 19h, decorreu a festa de lançamento do primeiro disco editado pela Música das Esferas, “Universos Paralelos” de Joana Rios.

Se é verdade que fiz de anfitrião não menos verdade é que aplaudi a apresentação como se de um simples admirador me tratasse.

Acho até incrível que ainda o consiga fazer, depois do due diligence necessário que tudo pudesse funcionar.

Estiveram cerca de 300 pessoas, gostava de agradecer a disponibilidade do BBC na pessoa da Carla Lomba, em nos receber desta forma tão especial, ao João Paulo Nogueira, pelo som absolutamente perfeito e aos músicos que acompanharam Joana Rios: Vicky na bateria, Filipe Raposo no piano e Hugo Antunes no contrabaixo.

Antes ainda tive o prazer de agradecer às pessoas que trabalharam e trabalham connosco para levar a bom porto este projecto e depois seguiu-se Patricia Vasconcelos a apresentar “a artista da noite”.

A Patrícia teve um discurso muito doce e suave, em que falou muito mais de amizade do que de música comovendo muitas pessoas que assistiam.

A banda entrou depois seguida de Joana Rios que simplesmente arrasou na sua intonação perfeita, plena de sentimento e do significado das palavras.

Gostava que estvessem estado lá.

Sobre a Música das Esferas muito há a dizer:

Criar uma editora não é tão fácil como possa parecer.

Para além do acto legal existem muitos contornos, muito dinheiro a ser entregue a várias entidades, para que no fim chegue um simples CD às casas das pessoas.

Existem negociações dificeis com as lojas – está na Fnac e na Worten e estará ainda no El Corte Ingles – com os media enfim nada é fácil nesta vida!

O retorno porém é enorme, e falo do retorno realmente importante: o espiritual.

Obrigado Senhor.

domingo, novembro 18, 2007

SYNC

A véspera foi dura, implacável: onde se consegue descobrir um vestido único, avant-garde, e porém algo que se poderia usar numa corte de Luis XVI?

A resposta é: numa casa de noivas.

A problema que surge é: se é certo que um saiote e uma saia tipo noiva podem quase chegar lá, depois seria necessário toda uma customização que não é possível em tempo útil.

Baixa, Chiado, Amoreiras, Freeport.

Se estivessemos em Nova Iorque.

Pelo menos na Casa das Sandes o serviço é impecável – quanta carne cabe numa baguette?!

E assim o drama do vestido foi relatado ao Nuno Barrote e ao Carlos Amaral – terá que ser a imagem original, esse personagem tão único e tão real.

Sábado, 10 de Novembro, 7 horas.

O despertador não tem piedade, é rude nos seus modos e forma de expressão.

Odeio-o!!!!

Mas se não fosse ele...

Vestidos, saias, tops, necessaire, laptop, máquina fotográfia – quanta coisa cabe num C1.

Oito horas em ponto já o Carlos Amaral confirma a posição das tropas.

Morar a um minuto e meio do Vasco da Gama traz as suas vantagens!!!

Chegámos.

O Nuno está na conversa com o Carlos que me faz lembrar um totém, contemplativo na sua agressividade.

A isto é que se chama pontualidade.

Cumprimentos, apresentações e toca a rolar!

Seguimos a Audi Avant 3.0 do Carlos – a publicidade compensa os seus maiores rostos – em direcção a Braço de Prata, à Matinha, onde são os Estúdios Nova Imagem.

Ai chegados, percebe-se que a manhã começou madrugada para a equipa que prepara o estúdio para a filmagem do videoclip “Revelação”.
Conhecemos a Beatriz, assistente de produção, muito simpática e muito competente, a Patricia, segunda assistente calculo e o João – realizador do videoclip.

Entretanto surge também o director de Fotografia, Luís Serra.

O catering, essa peça tão importante em qualquer actividade, já está pronto, bem como os maquinistas e restante equipa.

Por esta altura ultima-se o cenário revestido a tela preta, a colocação das luzes: uma superior, duas laterais e uma frontal junto ao chão.

Coloca-se vidro espelhado partido numa tina com água de modo a reflectir a luz para o cenário criando um efeito procurado pela equipa.

Afina-se a fotografia, testando algumas lentes procurando encontrar a imagem da incrivel sessão de fotografia levada a cabo por C.B. Aragão.

Coloca-se o carril por onde a câmara principal irá circular.

Testa-se a música.

O realizador pede uma claquete mas é Sabádo, o armazém está fechado.

Está tudo a postos.

Joana Rios surge dos camarins, vestida de forma muito semelhante à da sessão fotográfica diferindo em particular a maquiagem tendo-se optando pelo verde e o amarelo nos olhos.

Está fantástica, nervosa, mas fantástica.

O acting não é fácil e obriga Joana a um esforço e concentração muito forte.

Tem que imaginar um ser de luz, e interagir com ele.

Numa espécie de esboço de storyboard está a sequência das imagens.

As filmagens correm bem conseguindo-se cerca de 4 escalas diferentes, grandes plano e pormenores em geral.

O fim é brindado na banheira com o produtor Carlos Amaral e Joana Rios, captado pelo vosso escritor de serviço.

E assim é dado o grito de retirada, vamos almoçar.

Não tenho muita fome, já limpei o catering quase todo mas há sempre espaço para um bifinho.

Agora é esperar que a pós-produção faça o seu serviço.

E que serviço será.

Grande música merece grande vídeo: eu não tenho dúvidas, alguém tem?

terça-feira, outubro 16, 2007

Vou dormir

Amanhã escrevo.

sexta-feira, agosto 24, 2007

Ping-Ping-Ri e Tim-Plim Fran

Estou com saudades!!!!!

segunda-feira, agosto 20, 2007

Inversão do VII

Hoje ao almoço decidi, como tantas vezes faço quando não tenho companhia, de dar um passeio da Infante Santo até às docas e por lá almoçar. É absolutamente fantástico as coisas que passam pela nossa cabeça até chegarmos ao destino. Pensei numa música que fiz há pouco tempo e comecei a pensar nela – incrível como não fui atropelado por um qualquer camião – ela tem uma substituição muito comum (o I maior pelo I menor) e comecei a matutar qual a escala que melhor funcionaria sobre esta substituição. A resposta que eu já sabia a priori- o modo dórico 1 2 b3 4 5 6 b7 – de facto confirmou-se pensando um bocadinho. Claro que há outras se calhar até mais interessantes mas sem um papel e acima de tudo sem uma guitarra fica dificil de escrevinhar na atmosfera! Passei então ao refrão da música que tem um acorde diminuto a resolver uma terceira acima para a tónica. Porque soa isto bem? Porquê? Ora a minha cabecinha – devia ser fome não sei – tratou de dar a solução rápidamente: não será uma inversão do VII? E não é que é mesmo? Incrível! Claro que o VII na realidade seria meio diminuto mas se tudo fosse diatónico todos adormeceríamos barafustando “uau que música tão interessante”. Na verdade o meu diminuto ainda tem mais uma inversão: uma quarta acima da tónica. Inacreditável!

Se a ida foi esta agitação cerebral toda, o que aconteceu no regresso?

Bem no regresso aconteceu....absolutamente nada. Porquê? Chama-se caipirinha. É óptima, é maravilhosa, mas mata estas divagações hiper-especulativas em poucos segundos...

domingo, agosto 19, 2007

A minha cama engole sapatos

Eu sei, pode parecer estranho mas é mesmo assim.

Não há sapato que resista, ténis, sapatos de fato, havaianas, enfim parece que a madeira gera uma força de atracção extra que os come todos...

Ai sua tarada!!!

quinta-feira, maio 31, 2007

“Eu, mesmo”

Quem sou eu?

Quem sou eu que apareço quando ver não me vês e que desapareço quando não vendo me vês?

Quem sou eu?

Que me lamento quando tudo tenho, e que festejo quando sem tudo fiquei?

Quem sou eu?

Que só lembrado quando todos já esqueceram, e que só esquecido quando todos se lembram?

Quem sou eu?

Que te digo: uma, duas, três vezes, trinta e três vezes mil e cem milhões de biliões de vezes, tantas vezes quantas estrelas há “fica aqui”

Quem sou eu?

Se não a outra parte de ti, o lado oculto, o lado atrevido, o lado ousado ou talvez o lado mimado, o lado evitado, o lado equilibrado;

Quem sou eu?

Se não a outra parte de ti, a parte que me ofereceste para que fosse melhor, para que fosse mais feliz, para que fosse presente e não condicional;

Quem sou eu?

Encontra-me sem procurar, prometo que quando não fôr de esperar aí estarei para te fazer lembrar, que o espaço dobro com a esquina do meu olhar, que a ausência compenso com a linha da vida a contar;

Sim, eu mesmo.

domingo, maio 06, 2007

quarta-feira, abril 25, 2007

Dormente

Quão vermelho pode o coração ser?

Quão dado e quão apaixonado, quão livre e quão louco?

Quão orgânico pode o ser ser?

Quão terra e quão quente, quão sangue e quão diferente?


Quão longe posso eu ficar, obrigado a esperar?

E quão triste posso eu estar, obrigado a sonhar?

E quão sério posso me apagar, obrigado a mudar

E quão indiferente possa eu estar, obrigado a esperar


Espero que o segundo, que o segundo passe a minuto,

Mas que nunca passe a hora de ser feliz

Espero que o dia, que o dia passa a mês,

E o mês a estação, a nossa vida a um coração

segunda-feira, abril 02, 2007

A cantar com a Francisca

Apetece-me chorar mas não tenho lágrimas, secaram da última vez que choveu; apetece-me falar, dizer coisas inteligentes e cheias de humor, passar a mão pela tua frieza sarcástica mas não consigo: a língua está presa, a boca não mexe, a epiglote fechada. Apetece-me amar-te, amar-te louca e euforicamente, do ínicio da noite ao raiar da madrugada, mas não hoje, talvez amanhã ou no dia a seguir; apetece-me comunicar, chamar pela mudança moribunda que morre miserável dentro de vós; apetece-me alterar frequências em intervalos de dois tons, apetece-me mas não agora, agora estou invadido por bemois, simples e até duplos; apetece-me correr para a multidão a celebrar a vida, a vida ou o que resta dela, correr desenfreadamente como se não houvesse a seguir como se fosse tombar no fim e não o soubesse porém fico parado, estático, imóvel, em estátua que todos os pombos desta terra tenham a incrivel oportunidade de me corroer com a porcaria que jorram dos céus; apetece-me apetece-mes, aos milhares, até desfalecer, de sono ou de revolta, que revolta? A de Deus contemplando um espectro que não forma luz; apetece-me acabar de forma rude e fria, de forma inesperada e obtusa, e assim o vou fazer.

sábado, março 17, 2007

Adeus Primo

Talvez por minha própria cobardia pensei e repensei se deveria escrever este texto. Fico feliz por ter decidido escrevê-lo, interpreto-o com um sinal de maioridade e de maturidade.

Recebi a notícia pela voz de minha mãe, na quinta-feira, logo pela manhã, 9h estava quase a chegar à Infante Santo.

O meu primo Zézinho – nunca o conheci por outro nome que não este – nascido, criado e vivendo em S. Torcato, Guimarães, tinha falecido, aos 40 anos de idade.

A estupefacção foi grande bem como alguma comoção perfeitamente justificáveis – o meu primo era uma pessoa da qual só conheci o bem, de uma serenidade absoluta.

Não o via há vários anos, seguramente mais de cinco, e felizmente que a minha memória guarda clara as recordações do seu perfil e do seu alçado.

Recordo com nitidez também a sua profissão, ourives.

O meu primo nasceu surdo-mudo, tendo aprendido a esboçar palavras para outros colorirem.

Porém falava bem mais e melhor do que a esmagadora maioria das pessoas porque falava ao coração com a sua bondade intrínseca.

Gostava muito do meu primo Zézinho é aterrador que as pessoas boas se vão embora tão cedo deste mundo tão intransigente.

sexta-feira, março 16, 2007

Silêncio

Fala-me
Fala-me ao coração
Diz-me aquelas coisas que eu gosto de ouvir

Fala-me de ti
Fala-me de mim

Fala-me do intervalo que somos
Do que sonhamos e do que a vida vai fazendo de nós

Fala-me sem pensar
Gosto de ti assim tal como és

Fala-me
Ainda que a tua boca não abra

Por vezes diz-se bem mais em silêncio
Do que em n palavras eruditas

Por favor
Fala-me ao coração